Beleza, BEM ESTAR, Colaboradoras, Papo Calcinha

Cortei

23 de dezembro de 2014

“Se um dia eu pudesse me esbanjar
Em teus cachos escuros, tua pele clara
Se um dia teu sorriso bobo e tua leve simpatia
Fizessem por bem, espantar minhas mágoas mais amargas
Ah, mas eu faria por necessário guardar este dia
A mudar todo o meu calendário
E o ontem, que sacia minha angústia,
Esqueceria de vez, sua obrigação de me seguir
Então o amanhã, que adia meu desejo,
Me lembraria, entre todas as maravilhas
O teu jeito de sorrir.”
Alex Dantas

Quando ia começar a escrever tava sem inspiração e fui buscar poemas sobre cacheadas e me deparei com esse do Alex Dantas que me fez pensar nos porquês para eu ter cortado as madeixas. Não os porquês superficiais, mas os mais íntimos. E aí o que veio a cabeça foram as mudanças que nos acontecem na alma, mas que precisam ser sentidas na pele ou tocadas pelas mãos.

2015 ta chegando, mas eu não sou supersticiosa e nem tenho essa de ano novo tudo novo. Só que dessa vez ter cortado o cabelo de uma forma tão radical me deixou pronta pra iniciar um ciclo que a um tempo já latejava na minha mente. Sempre tive cabelos alisados, mas tipo sempre mesmo, desde uns 4 anos eles são alisados (posso considerar sempre, não posso?) e eu “nunca” conheci como seria ter cabelos naturais e essa foi a hora de tentar (mais uma vez) deixar tudo como Deus desenhou.

A uns 3 anos atrás eu já tinha tentado deixar ele crescer natural e me livrar do vício do formol, mas olha como foi difícil (acho que formol realmente vicia rs’) lembro que tinha uns 16 anos e tava no ensino médio, minhas amigas estavam me encorajando e tudo a deixar ele crescer naturalmente, mas num belo dia acordei revoltada com a raiz que se enrolava e comecei a chorar no meio da rua e acreditar estar entrando em depressão, porque “eu tava horrível”. E foi o fim da primeira tentativa.

Só que não, eu não tava horrível, eu só não sabia ver as diferenças do mundo, não sabia apreciar o diferente, o fora do padrão, me cercava das capas das revistas Capricho e sua beleza lisa, magra e loira.

A atitude de liberdade, agora, veio na hora certa, hora certa não só para cortar os cabelos, mas hora certa pra assumir aquilo que há em mim. Meus padrões e princípios próprios, as cosias que eu escolhi acreditar e os rumos que decidi tomar.

Cortei, mas não só o cabelo, cortei os laços com o banal, aquilo que desliga o natural, cortei os as correntes dos padrões, cortei aquilo que não sou eu.

Cortei! Não tem mais cabeleira, não tem mais ilusão, sou assim, sou cacheada, a cabeleira vem lá do sertão. Delirar nos laços sem fim, nos brincos de marfim, nos batons de jasmim. Vou seguir os caminhos do sol, os sopros do vento e os mistérios dos sonhos. Esperar o tempo passar, o mundo girar, as coisas se encaixarem e transformar os passos de erros em compassos de acertos.
Eu to pronta, pronta pra viver, pronta pra sonhar, pronta pro calor, pronta pro suspiro de dor e o aconchego do amor.

Você Também Poderá Gostar

1 Comentário

Deixe seu comentário