LIVROS

Histórias de um Cafamântico

3 de dezembro de 2014

“Vive entre o soco e o sopro. Morre de medo do morno e odeia caminhar em cima do muro. Acha que sensibilidade é coisa de macho e que estupidez é atitude de frouxo. Nunca recusou um temaki ou um café. Peca todo dia. Autor do livro Confissões de um Cafamântico.” É assim que Ricardo Coiro se define no site “Entenda os Homens”.

Publicitário paulista que ganhou fama ao escrever para os sites “Casal Sem Vergonha” e “Entenda os Homens”, ano passado Ricardo lançou seu primeiro título, no qual discute os relacionamentos, as sensações e emoções que são uma tarefa a ser realizada a dois. Sua popularidade cresce cada vez mais na internet, principalmente entre as mulheres, e sua página no Facebook já ultrapassou a casa dos 30 mil fãs.

Em entrevista ao Delírios de Donzelas, o autor conta como é escrever em uma época onde as pessoas tem preguiça de ler, como é seu relacionamento com as fãs e seus futuros planos.

Delírios de Donzelas: Você é publicitário. De onde veio a mania de escrever?

Ricardo Coiro

Ricardo Coiro (Foto: Reprodução/Carol Danelli)

Ricardo Coiro: Escrever, para mim, é muito mais do que mania. Escrevo, desde criança, para não explodir. Escrevo para transbordar os muitos sentimentos que me inundam. Escrevo quando estou triste. Escrevo quando estou feliz. Escrevo quando não estou nada.

Seus textos são sobre pessoas e relacionamentos. Tem algum motivo especial?
No mundo, não vejo nada mais interessante do que as pessoas. Os sentimentos mais fortes que conheço são causados por elas. Não saberia escrever sobre o pássaro que pousa no fio ou sobre a onda que lambe a areia. Meu negócio é gente e tudo que elas geram.

Quais são as suas maiores inspirações para escrever?
Rubem Fonseca, Pedro Juan Gutiérrez, Bukowski, Leminski, Machado de Assis, Mario Vargas Llosa, Chacal e Philip Roth.

Até onde o que você escreve é baseado em fatos reais?
Muito do que escrevo é baseado nas coisas que ouço por aí. Vivo em busca de histórias interessantes. E, acredite se quiser, o mundo está cheio delas. Basta sentar em algum boteco e, se prestar atenção ao seu redor, captará muito material inspirador. Em alguns casos, invento histórias inteiras. Tenho essa licença, certo?

Você já tem mais de 30 mil seguidores e a maioria é mulher. Como é a sua relação com as fãs?
Tento mantê-la da maneira mais profissional e educada possível. Sou muito feliz por tê-las. Sem elas, eu estaria guardado no fundo de uma gaveta empoeirada. Recebo muitas cantadas e pedidos de casamento, mas, de verdade, gosto mesmo é de receber elogios referentes ao meu trabalho. Quero ser reconhecido pelas coisas que escrevo e não pela imagem ilusória que criei, involuntariamente, na cabeça delas.

Você esperava fazer tanto sucesso na internet?
Não, não esperava. Comecei brincando, pois gostava de expor minhas ideias. De repente, olhei para meu Facebook e vi que tinha 30.000 seguidores.

Como é escrever em uma época onde as pessoas tem preguiça de ler?
É um lixo. Sempre que escrevo textos mais longos, percebo o quanto a preguiça anda tomando conta das pessoas. As pessoas, graças à modernidade, estão ficando cada vez mais apáticas e desacostumadas com conteúdos que exigem maior concentração. Elas só querem conteúdos mastigados e já digeridos. Isso é uma merda. Estamos na área do resumo e dos poucos caracteres.

Você escreveu o livro “Confissões de um Cafamântico”. Conte-nos um pouco sobre ele?
O livro é a materialização de um sonho. Ou melhor, é a impressão de tudo que acredito. Escrevi com a intenção de resgatar a sensibilidade existente nos leitores e acho que consegui. Estou muito feliz por ter conseguido. Feliz pra caralho.

Na sua página do Facebook, você já falou sobre o projeto de um próximo livro. Quais são seus planos para ele?
Já escrevi 70% dele. Porém, dessa vez, quero fazer com mais calma. Pretendo terminá-lo em 2014. Será um livro bem diferente do primeiro. O livro conterá contos longos e menos poéticos. O livro terá muito sexo, violência e realismo. Quero expor os instintos mais primitivos do ser humano. Vou chocar os leitores que esperam de mim apenas “amorzinho”.

Quantos livros a mais você pensa em publicar?
Quantos eu conseguir até o dia da minha morte.

Confidências de um Cafamântico foi lançado em 2013 (Foto: Reprodução/Carol Danelli)

Confissões de um Cafamântico foi lançado em 2013 (Foto: Reprodução/Carol Danelli)

Sonha em algum dia viver da escrita?
Sonho e vou viver.

Quais são suas maiores ambições?
Minha maior ambição é, com a escrita, conseguir pagar boas viagens e comidas gostosas.

Você poderia deixar um recado para as nossas leitoras?
Não venda sua alegria por dinheiro. Pense bem na sua vida e, se puder, elimine aquelas coisas que não precisa, apesar de achar que são fundamentais. Hoje, estou nessa fase. Estou jogando fora tudo aquilo que não “agrega valor ao meu camarote”. Estou menos atento às expectativas do mundo e focado naquilo que realmente espero de mim. Se fizerem isso, perceberão que existem caminhos bem melhores e mais leves para levar a vida.

Você Também Poderá Gostar

Comentários

Deixe seu comentário