COMPORTAMENTO

Todas as mulheres do mundo

7 de dezembro de 2014

Todas as mulheres do mundo, pelo uma vez na vida vão ser chamadas de piranha. Ou qualquer ‘sinônimo’ dessa palavra. E isso não vai ter nada a ver com sua vida sexual. Se você fechar alguém na rua com seu carro, vai receber um xingamento desse tipo. Se furar uma fila, errar uma nota, escolher outra pessoa na seleção de emprego, for bem sucedida no trabalho, acredite, você entrará na lista de mulheres piranhas, lista aquela cujos homens acreditam que comandam.

Desde criança lhe ensinam a brincar de casinha. Ficar na rua com os meninos é algo feio. Menina tem que saber se comportar. Tem que saber sentar direito, se vestir como mocinha, não pode ficar sem blusa, deve se encantar com contos de fadas e a eterna espera de um príncipe. Enquanto isso os meninos soltam pipa, jogam bola, não tem grandes funções domésticas, seus corpos são livres para sentar de pernas abertas, sentir calor, e curiosidade com revistas de mulheres nuas é completamente normal.

Na adolescência as coisas só pioram, a fase de aceitação do seu corpo é regida por diversas regras. Não pode usar roupa curta porque senão atrai atenção, tem que usar sutiã, precisa depilar, estar sempre arrumada e impecável, menstruação é um tabu, não deixe os meninos saberem que está sangrando. Para os homens, tudo é experiência. “Tudo bem, eles demoram mais tempo para amadurecer.” “Meninas, por favor, comportem-se como princesas”.
PRINCESA! Palavra que particularmente odeio. As de contos de fadas são entediantes. Os assédios disfarçados de elogios na rua, que utilizam essa palavra, me enojam.

Agora vocês sabem, quando uma mulher comete um ato machista, ela apenas está refletindo todo esse histórico que lhe é imposto desde o momento em que nasce.

Quantas vezes escutei “a vida não é fácil para os homens”, “se as feministas querem igualdade, por que não lutam contra o alistamento militar obrigatório?”. Desculpem meninos, mas nós já estamos muito ocupadas tentando desconstruir relações opressivas que vem desde o berço, em uma sociedade que se conforma e prefere ensinar mulheres como se comportar para não serem julgadas. Acho que essa luta, vocês podem encarar sozinhos, se quiserem, é claro.

Meu conselho é, já que em qualquer momento da vida seremos julgadas, quietas ou não, vamos fazer os que nos der vontade. Vamos gritar que não aceitamos mais isso, vamos parar de dizer as nossas filhas, irmãs, sobrinhas como se comportarem. Vamos gritar não! para aquele “princesa” dito na rua. Mas se você, amiga, não quiser entrar nessa briga, se não faz o seu estilo, e você só quer viver de maneira pacífica, não tem problema. A gente está nessa luta por você também, pra que você tenha o direito de ser quem quiser, como quiser e isso ser um problema somente seu.

*Esse texto foi escrito por Jéssica Rodrigues, colaboradora que não está mais em nossa equipe.

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