Boys, COMPORTAMENTO

Uma quase carta a um quase amor

11 de janeiro de 2015

Primeiro, gostaria de deixar bem claro que esse texto não tem nenhuma intenção de regrar a vida alheia. Na verdade, não passa de um desabafo.

Quando era adolescente, na faixa dos 15/16 anos, gostava de um garoto. Nós éramos vizinhos e amigos. Conversávamos durante horas no falecido msn, e meu coração dava piruetas quando aparecia a janelinha mostrando que ele estava online.

Lembro-me vivamente da primeira vez que tive meu coração partido, da indignação, frustração e sentimento de impotência. Eu estava atrás da porta quando escutei a conversa dele com um amigo “ele até gostava de mim, mas jamais namoraria comigo, pois sabia que seria o mais chifrudo do bairro”. Chorei por pelo menos uma semana. E queria entender o porquê. Por que alguém diria algo tão cruel? Parei pra analisar os fatos, e posso dizer que hoje, quase dez anos depois, finalmente entendi.

Cresci em uma família que jamais tentou me diminuir ou me transformar em outra pessoa, um lugar onde mesmo contendo várias opiniões contrárias sempre me apoiou em todas as minhas decisões. Minha mãe, a mulher mais guerreira que eu já conheci me disse para nunca ter medo de quem eu sou.

Quando criança, brinquei na rua com os meninos, na pré-adolescência decidi que queria aprender arco e flecha ao invés de ter aulas de maquiagem, quando adolescente fui a todas as baladas que tive vontade, dancei até sentir as pernas bambas, experimentei a bebida mais cedo do que gostaria, e vomitei algumas vezes pelo caminho. Minhas roupas? O que eu me sentisse melhor, desde saias com aberturas laterais a vestidos longos, e a maioria delas feita pela minha própria mãe.

Desde pequena soube quem eu era, o que eu queria e principalmente o que eu não queria. E, obviamente um garoto não poderia e não saberia lidar com isso. Alguém tão bem resolvida como eu. Uma adolescente segura. Uma garota que gostava de se divertir e nunca viu nada de errado nisso, porque na realidade não há. O problema nunca fui eu.

Por isso, agradeço ao meu primeiro amor, e a todos os outros meninos que me dispensaram, nenhum deles saberia realmente dar conta de mim e eu acabaria me sentindo mal quando tivesse que lhes dar o fora e destruir toda a imagem romântica que havia construído de vocês. Muito obrigada!
Com muito amor, da mulher que nunca foi pro bico de vocês.

*Esse texto foi escrito por Jéssica Rodrigues, colaboradora que não está mais em nossa equipe.

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