Sexo

Relação BDSM ou Violência Doméstica?

18 de fevereiro de 2015

Promessa é dívida! Quando fiz minha análise sobre o filme “Cinquenta Tons de Cinza”, prometi que faria um texto explicando a diferença entre uma relação BDSM e violência doméstica. Acredite, isso causou certa polêmica e bastante discussão entre eu, meu namorado e algumas amigas. A minha pergunta foi entendida pela revista Fórum, uma das fontes de pesquisa para esse texto. Vem aqui que vou te explicar tudo tim tim por tim tim! Afinal de contas, o que diferencia o BDSM das diversas formas de violência doméstica? É possível encarar tais práticas sob uma ótica feminista?

“Cinquenta tons” se tornou polêmico em 2011, ano de sua estreia. Houve pessoas que acharam um absurdo falar sobre relação BDSM em um livro que se autointitulava “romance”. Ainda mais depois que sofreu um boom e se tornou um best-seller. Afinal de contas, era a quebra de tabus, como, por exemplo, o de uma mulher escrever sobre sexo. A polêmica toda voltou com o lançamento do filme, que aconteceu no último dia 12.

Mas afinal, o que seria a prática BDSM?

“Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo”. O BDSM tem o intuito de trazer prazer sexual através da troca erótica de poder, que pode ou não envolver dor, submissão, tortura psicológica, cócegas e outros meios. Por padrão, a prática é aplicada por um parceiro(a) em outro(a).

O tripé da relação BDSM são três palavrinhas que podem fazer toda diferença nessa nossa explicação: são, seguro e consensual.

“Sãs são as práticas que respeitam a razoabilidade mínima e a normalidade lato sensu, estando os praticantes em perfeito estado mental de consciência, objetividade e lucidez. Assim, não se deve praticar com o estado de consciência alterado por substâncias entorpecentes ou alucinógenas ou que de alguma forma alterem a consciência, muito menos fazer-se coisas insanas como mutilações ou até a morte.

Prática segura é aquela feita de modo a eliminar os riscos de algo sair do esperado, resultando, por exemplo, em lesões corporais, traumas psicológicos ou até mesmo a morte. Assim precauções devem ser tomadas para que tudo saia bem, como esterilizar equipamentos ou instrumentos cortantes ou perfurantes ou que de alguma forma lesionem a pele ou entrem em contato com sangue; cuidar para que a submissa esteja preparada psicologicamente para práticas de humilhação hard; cuidar ao amarrar para que não se prejudique a circulação ou se ocasione problemas circulatórios; cuidar com o manejo de facas e outros instrumentos cortantes; cuidar para não bater em pontos vitais, dentre muitos outros cuidados a depender da prática adotada.

Consensual é o item mais objetivo da tríade, significa que todas as práticas devem ser aceitas tácita ou expressamente. Para tanto existem as negociações prévias entre os participantes e a palavra de segurança (safeword, que faz parar ou diminuir o ritmo das práticas).”

– Wikipedia

mujeresasolas-20120205-fectiches

Ou seja, toda a prática BDSM preza pela integridade física, pela saúde mental e psicológica dos participantes. Além de serem acordadas previamente.

E violência doméstica, o que pode caracterizar?

De acordo com o Instituto Avon, 2 milhões de mulheres sofrem de violência doméstica no Brasil por ano. Pasmem! Apenas 63% delas denunciam a agressão. Na maioria das vezes, o agressor é seu parceiro ou ex.

Existem alguns tipos de violência doméstica, mas geralmente elas deixam sequelas na saúde física e mental das agredidas.

A violência física é quando o homem utiliza da força física ou de armas de forma que possam causar lesões. Tapas, empurrões, socos, cortes e castigos são exemplos.

Na violência doméstica, a mulher é coagida, na relação bdsm não

Na violência doméstica, a mulher é coagida

A psicológica se caracteriza por ação ou omissão que causa dano à autoestima, à identidade ou ao desenvolvimento da pessoa. Exemplos: xingamentos, humilhações, desvalorização, chantagem e privação de liberdade são apenas alguns casos.

A violência sexual é cometida por meio de atos ou tentativas de relação sexual sob coerção ou força física. Sexo forçado dentro do casamento ou do namoro pode sim ser estupro. Exigência de sexo como pagamento de favores, abuso sexual de pessoas mental ou fisicamente incapazes, negação do direito de usar anticoncepcionais ou de adotar outras medidas de proteção contra doenças sexualmente transmitidas e aborto forçado são casos de violência sexual.

Onde entra a questão da Violência Doméstica na Relação BDSM?

A diferença básica entre elas é o consentimento. Quem sofre em uma relação abusiva não permite e nem gosta de apanhar. Na maioria das vezes é obrigada a aceitar por falta de opção, ameaça ou dependência. Essa pessoa é agredida. Já na relação BDSM, o submisso sente prazer na dor, conhece seus limites e, através das negociações, faz com que eles sejam respeitados. Se ultrapassar, há uma palavra de segurança.

Na violência doméstica não há consentimento. Há uma relação de medo, dependência, seja ela emocional ou financeira. Segundo a revista Fórum, “há diversos casos onde o dominador pratica alguma técnica primeiro em si mesmo por vários meses antes de fazer em outra pessoa – um cuidado especial que jamais seria tomado por um agressor. Enquanto uma pessoa dominadora zela por seu parceiro, tomando cuidado para não machucá-lo – muitas vezes contrariando a própria vontade do submisso de ir além, parando quando sabem que é arriscado continuar – abusadores não se importam com o bem-estar da vítima.”

Para algumas ativistas feministas, não há como conciliar a luta pelo gênero com a questão da violência e nem a questão da permissão é suficiente para explicar. Mas, nesse discurso, muitas vezes esquecem que o dominador também pode ser a mulher (como aconteceu com o personagem Christian Grey, em “Cinquenta Tons de Cinza”).

A revista Fórum entrevistou uma praticante do BDSM que fez uma declaração que concordei plenamente. Leia:

“Segundo Divina, é primoroso que o feminismo bata na tecla que as mulheres precisem aprender a dizer “não”. “’Não, é não’. Perfeito. Mas o feminismo também precisa repensar que as mulheres precisam se sentir confortáveis em dizer ‘Sim’ sem se sentirem pecadoras. As mulheres não precisam de mais culpa, mais vergonha”, afirma. “Defendo a agência e autonomia de todas as mulheres, cada mulher deve se sentir confortável para dizer o não, mas também responder afirmativamente ao que lhe dá tesão, mesmo que aos olhos dos outros pareça uma moral duvidosa”, explica.”

Concluindo…

O importante é que as mulheres percam o medo e parem de ser achar pecadoras. Criticar o que não conhecem é ir de contra o pensamento de liberdade. Toda mulher é livre para pensar, querer e agir como bem entender. Ser adepta do BDSM ou procurar na relação sexual uma forma de se expressar é apenas uma questão de liberdade.

Como na declaração de Divina, a mulher tem o direito não, mas precisa aprender a dizer sim sem remorsos. Descobrir o que lhe causa prazer e diferenciar isso da dor é um passo importante para o seu auto descobrimento.

Se você sofre agressões não consensuais, busque ajuda, denuncie nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM) ou ligue para o número 180. Você também pode recorrer aos Recursos Humanos, basta discar 100.

Lembre-se: a mulher é independente, não é o sexo frágil da relação e muito menos menor que o homem. Não aceite ser subjugada e saiba impor seus limites em uma relação consensual, como a BDSM.

Fonte de pesquisa: Revista Fórum

Você Também Poderá Gostar

Comentários

Deixe seu comentário