COMPORTAMENTO

Ser de si, ser pra si

25 de fevereiro de 2015

Conversando com algumas amigas a uns dias, paramos pra pensar na importância das redes sociais na nossa vida e mais do que isso a dependência dela no nosso dia a dia.

Para isso fomos lembrando das vezes em que ficamos sem telefone ou acesso à internet por longos períodos e até mesmo que só por um ou dois dias o quanto foi difícil lidar. Com a comunicação imediata entre as pessoas e sua freneticidade (me permito a neologismos sempre que posso) a gente pôde observar que as pessoas, nós mesmas, não se permitem mais ficar em silêncio ou compartilhar suas sensações e sentimentos com si próprias. É sempre preciso contar tudo para uma amiga, namorado ou pra ninguém específico, no caso o Twitter.

Nos tornamos incapazes de conviver com nós mesmo e fugitivos de nossos próprios pensamentos, enquanto temos o prazer ou a paciência de lidar com aquilo que grita na mente das pessoas mais estranhas possíveis.

A um tempo atrás eu era do tipo de pessoa que compartilhava TUDO no facebook, tipo TUDO mesmo, se brigava com minha mãe o facebook sabia, se o ônibus atrasava ele também sabia. Aos poucos fui vendo que não era necessário e muito menos saudável narrar a vida nesses lugares em que grande maioria são “amigos” que na verdade nunca vi ou vi uma única vez. Pessoas que não entendem meu ponto de vista ou que julgam minha forma de pensar sem conhecer-me. Não é saudável essa exposição toda de pensamentos e reflexões a troco de nada. Não to dizendo pra ninguém conversar mais nada, pelo amor, mas é diferente fazer isso online e fazer pessoalmente.

O papo bom é aquele olho no olho, aquele que debate no tom de voz certo, que mostra as opiniões com paciência e prudência, vendo a reação do outro.

Não vou falar pra vocês que abandonei total o costume narrativo porque é mentira, twitter ta lá pra provar rs’. Ou que não sou dependente de falar com algumas pessoas todos os dias, várias vezes por dia, nem que seja uma mensagem idiota ela ta lá, um áudio sem sentido com qualquer barulho estranho só pra dizer “to aqui, pensei em você, não tenho nada pra dizer, mas conversa comigo”.

É preciso que reaprendamos a ficar com nós mesmo, que entendamos o quanto somos preciosos e o quanto nossos pensamentos silenciosos podem nos levar longe. Fico imaginando quantas almas poetizas não se perdem dentro de si, simplesmente por não conseguir canalizar sua atenção naquilo que sentem e permitir que o sentimento/ pensamento se desenvolva.

Então meninas, que nos permitamos viajar mais, delirar mais, viver mais com nós mesmas e somente com nós mesmas. Que entendamos verdadeiramente aquilo que nossa alma grita e assim nos permitamos entende-la e não postá-la.
Que saibamos lidar com nossas rotinas nos momentos que são só nossas. Seja ela tediosa ou agitada. Que sejamos a melhor companhia pra nós mesmas.

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