Literando

Amendoados

7 de abril de 2015

Era inicio do outono, fazia frio naquela tarde e lá estava eu em mais um dia comum. Um filme leve passava na tela. Tudo tinha aquele clima que deixava as coisas mais intensas. Talvez fosse uma TPM que estivesse chegando ou talvez fosse só o cheiro da chuva. Eu tentei, tentei por muitas vezes não lembrar dos momentos que passei em tardes similares ao lado dele. Até que chegou a hora em que no filme aquele casal se olhou, entenda que eles não eram nem um pouco parecidos com nós dois. Mas a forma como se olhavam me fez lembrar como as coisas fluíam leve quando ele me olhava com aqueles olhos amendoados. Mais do que me apaixonar por seus olhos eu me apaixonei pelas expressões que gritavam neles. Eram capazes de transpassar todas as suas sensações por meio deles, mesmo que tão enigmático. Eu conseguia entender e sentir, mesmo que tentasse disfarçar, quando seu coração estava longe. E esse era o momento em que produzia meu olhar preferido, quando estava assim era possível entender o porque ele era tão silencioso, não da pra imaginar quantos mistérios ecoavam em sua mente. Assim, seus olhos ficavam pequenos, apertados e há quem diga que eram apenas olhos cansados de tantas responsabilidades, mas eu sabia que não, eu conhecia aqueles olhos, os meus olhos, acho que podia os considerar assim, já que por tantos anos ele me dizia que eram meus, me desculpe a todos que acham que não, mas aquilo que nos é dado com amor e sinceridade não merece devolução. Sabia o quanto ele precisava ser cuidado e acalmado quando ficava daquele jeito. E o quanto ele finge que não precisa de nada, que ta tudo bem, quando na verdade só com um abraço sincero ele se solta nas suas reais emoções. Só consigo pensar como estarão seus olhos agora e como tem feito para se sentir seguro. Se quem ele tem por perto o cuida com tamanho zelo como eu fazia. Espero que esteja bem, que seu coração esteja ancorado em algum porto de paz.

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