COMPORTAMENTO

Temos mesmo algo a comemorar?

13 de maio de 2015

Hoje é 13 de Maio, o dia que representa a assinatura da Lei Áurea, aquela que aboliu oficialmente a escravidão no Brasil. Isso aconteceu no  período em que o sistema escravocrata já estava em decadência, pois o número de escravos era menor do que os negros já livres, e essa medida não foi tomada pensando nos negros, mas sim porque o império estava sob pressão dos movimentos abolicionistas nacionais, e da Inglaterra.

O Brasil foi o último país do mundo a libertar seus escravos.

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O Estado do Ceará, em 1884, já tinha banido a escravidão no seu território, quatro anos antes da Lei Áurea. Antes da lei,  os estados do Amazonas, Rio Grande do Sul e São Paulo também já não tinham mais escravos.

A Lei assinada pela princesa repercutiu nos grandes centros, demorou semanas e até meses para chegar nas pequenas propriedades. Depois de libertos, alguns ex-escravos permaneceram com seus antigos senhores por não terem para onde ir.

É exatamente por isso que o movimento negro não comemora essa data, devido ao tratamento que o negro recebeu depois de assinada a lei, ele se tornou “descartável” e nenhuma medida de acolhimento ou preparação foi tomada.  Faltaram  condições para que a população negra pudesse ter um tipo de inserção mais digna na sociedade.

Após o fim da escravidão, de acordo com o sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995), em sua obra “A integração do negro na sociedade de classes”, de 1964, as classes dominantes não contribuíram para a inserção dos ex-escravos no novo formato de trabalho.

Os ex senhores não tiveram que pagar nada e foram poupados de responsabilidade pelos libertos. Nem o estado, nem a Igreja ou qualquer outra instituição, assumiu os encargos especiais para preparar o negro recém liberto para sua nova realidade.

Apesar das mudanças nesse cenário de exclusão e discriminação estarem acontecendo nos últimos anos, ainda são gritantes os números sobre o negro no Brasil.

Segundo uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) de 2013, a possibilidade de o negro ser vítima de homicídio no Brasil é maior inclusive em grupos com escolaridade e características socioeconômicas semelhantes. A chance de um adolescente negro ser assassinado é 3,7 vezes maior em comparação com os brancos.

A pesquisa mostra ainda que negros são maiores vítimas de agressão por parte de polícia. A Pesquisa Nacional de Vitimização mostra que em 2009, 6,5% dos negros que sofreram uma agressão tiveram como agressores policiais ou seguranças privados (que muitas vezes são policiais trabalhando nos horários de folga), contra 3,7% dos brancos.

Esses números são tristes e realmente nos gritam que não há muito o que se comemorar nesse 13 de maio. E como diz Caetano:
“Tanta pindoba!
Lembro do aluá
Lembro da maniçoba
Foguetes no ar
Pra saudar Isabel”

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