COMPORTAMENTO

Versei #UmDedodeProsa

6 de julho de 2015

Versei os dias pras fazer sucesso;
Versei os passos pra fazer regresso;
Versei os anos pra encontrar estradas;
Versei os medos pra achar sossego;
Versei-me em dias simples pra transformar os desassossegos em calmaria. Onde foi que perdi minha calmaria?

Já faz algum tempo que ando pensando onde ficou a convicção nos dias e a calma da alma com a qual eu sempre tentei levar a vida. Mas ai eu lembrei que nunca consegui viver da forma como planejei, não que eu me refira a coisas pra fazer, a faculdade que gostaria de cursar ou a ausência de encontros com amigos. Mas nunca consegui viver com meu interior da forma como eu imaginava por tantas noites antes de dormir.

Porque eu não consigo eu não sei dizer muito bem, ou até saiba, mas me recuse a admitir ou a crer. Talvez não saiba caminhar sozinha pelas veredas dos dias, e isso talvez tenha muito haver com o fato de que sempre gostei muito de ter amigos. Mas que amigos? Sempre foram tantos e tão poucos.

Sempre tive a “louvável” mania de ser muito mais amiga das pessoas do que elas de mim, mas se tem uma coisa que eu tenho mudado é isso. Percebi que sempre sofri por amizades porque eu sempre fui a que mais ia de encontro com os distanciamentos, burlando as leis de controle que me estabelecia.

Amizades sempre foram um ponto de apoio na vida de qualquer pessoa, mas deixam de ser saudáveis quando a entrega não segue a mesma intensidade de ambos os lados. Sentir o aconchego de um abraço amigo deve ter o mesmo valor e significação para os dois, não só porque conseguimos sentir o quanto o outro está ou não interessado nesse abraço, mas porque é uma relação desleal.

E então ao perceber isso você muda, muda por dois dias no máximo, até que a pessoa te procura e ai volta tudo de novo, você se acostuma em ouvir a voz e a manter contato, a procurar contato e assim põe a prova todo o distanciamento que você tentou construir. Então você da com os burros n’água mais uma vez e demora um tempo pra perceber, até que mais uma vez tenta a distância. Maldita distância que não brota!

Mas o que mais vale é não desistir ou parar de lembrar que o que mais vale é manter a lealdade consigo mesmo… Até lá vale versar,
Versar sobre tudo o que pensar;
Versar sobre os dias que vem gelar;
Versar sobre as amizades a machucar;
Versar sobre os versos que se versam.

Já perdi o rumo dessa prosa faz tempo, mas quem proseia sobre uma coisa só?

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