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Sugestões de pesquisa no Google nos fazem refletir

19 de agosto de 2015

“Brasileiros não são latinos.” Alguém avisa pro Google que isso não tem nada haver? Recentemente dois amigos publicitários iniciaram um movimento para fazer com que as pessoas reflitam sobre o que tem pesquisado no Google, já que o que mais procuram são coisas negativas a respeito de qualquer nacionalidade, é só testar, não vai aparecer sugestão de nada bom. E a culpa não é do site, já que sua organização é através de binário determinado pelo numero de pesquisas na página, Google indica a pesquisa daquilo que é mais procurado nele.

Tiago Abreu contou à BBC Brasil que o objetivo da campanha “People are Equal” que desenvolveu com Linus Oura, é fazer com que as pessoas reflitam sobre como enxergam as nacionalidades. Para isso eles pretendem reunir fotos dos 192 países em torno do Globo e criar com elas uma reflexão sobre o ser cidadão cultural de cada país.

Mas o que mais me surpreende é isso ser necessário, me faz refletir que sociedade e valores se formam na humanidade que fazem necessário que os outros sejam ensinados a não levantar mal juízo dos valores alheios. E pensando nisso me desconstruo mais um pouco, já que percebo que eu mesma emito diversos valores e contra valores sobre pessoas e culturas que são diferentes da minha.

Temos olhado tão para dentro de nós mesmos que às vezes não é nem preciso que busquemos referências sobre os de fora do nosso território nacional para julgar, fazemos isso com os nossos mesmos, por quê não? Na maioria das vezes emitimos juízo de valor contra aqueles que estão apenas fora do nosso círculo de pensamento e até mesmo dos que estão dentro.

Fomos ensinados a entender como certo o nosso modo de vida e somente ele, sem levar em consideração qualquer que sejam os motivos e educação do outro. Julgamos os baianos como preguiçosos porque falam manso, mas não olhamos o quanto cada um deles se dedica ao trabalho pesado; referimo-nos aos paraíbas de forma pejorativa sem ter a menor noção de como esse povo se relaciona com sua realidade. Ousamos dizer que tal nacionalidade é feia ou ignorante apenas por não estar dentro do nosso padrão de beleza ou ser conhecedor do nosso tipo de informação.

É preciso refletir mais sobre quem nós mesmos somos, sobre quem queremos ser, sobre os motivos que levam as pessoas a terem o jeito que tem e ainda sobre o porquê nos achamos no direito de nos vermos como os donos da verdade absoluta. É preciso olhar mais para dentro de si e contemplar-se refletindo o que verdadeiramente somos e deixar que o outro seja o outro da forma que o agrada e que nós sejamos aquilo que nos agrada.

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