COMPORTAMENTO

O tal do Empoderamento

12 de janeiro de 2016

2015 definitivamente foi um ano de avanços para a igualdade de gênero. A quantidade de mulher lutando pelos seus direitos e pela sua vida aumentou, mas ainda há muito o que lutar.  Após campanhas como as #ChegaDeFiuFiu e #MeuPrimeiroAssédio, o número de denúncias aumentou cerca de 40% em relação ao número de 2014. Mas se você for reparar nas ocorrências de violência contra a mulher, verão que apesar dos avanços dos últimos anos, muitas irmãs ainda sofrem na mão de parceiros/pais/irmãos/parentes/desconhecidos que não a reconhecem como igual.

Os objetivos prioritários para a promoção da igualdade de gênero e do empoderamento das mulheres no mundo foram definidos há 20 anos atrás, na IV Conferência Mundial sobre as Mulheres, em Pequim. Em 2015, a ONU lançou uma agenda global com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Esses ODSs é um conjunto de 17 objetivos universais para guiar o desenvolvimento global a partir de 2015. Entre eles está: “alcançar a igualdade de gênero e empoderar as mulheres”.

Mas empoderar? Como?

Apesar de sermos 51% da população mundial e não perdermos em nada profissional/pessoalmente para os homens, as mulheres ainda enfrentam diferenças salariais e não assumem cargos de liderança. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, apenas daqui há 80 anos, em 2095, teremos paridade de gênero no mercado de trabalho.

Mas não adianta nada ganhar bem e apanhar em casa ou ser assediada no meio da rua..

O combate à violência contra a mulher deve ser uma prioridade. Segundo Lakshmi Puri, diretora executiva interina da ONU Mulheres, “desde a violência sexual nos acampamentos do Haiti, Síria e na República Democrática do Congo, até a violência pelas mãos de um companheiro sentimental nos Estados Unidos ou em outros países, a violência contra a mulher causa danos físicos e psicológicos incalculáveis. Esta é uma das violações mais generalizadas dos direitos humanos e traz enormes custos para os indivíduos, famílias e sociedades”.

O empoderamento possibilita a aquisição da emancipação individual e também da consciência coletiva necessária para a superação da dependência social e dominação política. O empoderamento devolve poder e dignidade a quem desejar o estatuto de cidadania, e principalmente a liberdade de decidir e controlar seu próprio destino com responsabilidade e respeito ao outro.

O empoderamento de mulheres traz uma nova concepção de poder, assumindo formas democráticas, construindo novos mecanismos de responsabilidades coletivas, de tomada de decisões e responsabilidades compartidas. O empoderamento feminino é também um desafio às relações patriarcais, em relação ao poder dominante do homem e a manutenção dos seus privilégios de gênero, é uma mudança na dominação tradicional dos homens sobre as mulheres, garantindo-lhes a autonomia no que se refere ao controle dos seus corpos, da sua sexualidade, do seu direito de ir e vir.

contioutra

Vamos aos 7 princípios do Empoderamento?

1. Quebre barreiras
Dê poderes a uma amiga e então você está dando voz aos seus sentimentos. Como um voto de confiança. Desta forma você superará barreiras patriarcais. Empoderar encoraja.

2. Empoderar, não competir
O machismo faz com que as mulheres vivam em eterna competição: quem tem o melhor corpo, o melhor cabelo, quem se veste melhor (e esses são só os exemplos fúteis). Ele também impõe certos padrões de comportamento que não devemos ter para não ficarmos faladas ou que temos que obedecer para “vencermos”. Na verdade, amigas, o papel das mulheres no empoderamento é se aliarem umas às outras e desta forma sermos mais fortes.

3. Apoiar outas
Esse é o princípio básico do feminismo. A troca de experiências, passar para frente os conhecimentos para que as que não enxergam claramente a atividade machista possam se incomodar também.

4. Compartilhar
Quando você compartilha suas experiências, conta suas histórias, você descobre mais iguais a você e isso passa a ser um pouco menos aterrorizante.

5. Não somos obrigadas explicar feminismo para eles
Não é que os homens não precisam saber sobre a luta das mulheres, não mesmo. Mas eles não são protagonistas, ok? Entre explicar para uma mulher e um homem, dê preferência a passar o que sabe para sua amiga. Ela usará com mais força do que ele, certeza!

6. Opressor e oprimido nem sempre convivem em harmonia
Com certeza você tem aquele amigo que se diz feminista, mas vive comentendo atos machistas desagradáveis. Então, pra que incluir o opressor na sua luta?

7. Livre-se de estereótipos
Você é livre! Isso deve ser um grito que nós damos todos os dias de manhã, ao acordar. Você pode ser do jeito que quiser. Existirá o que você quer que exista. Corre pra frente do espelho, se olhe, se toque, se conheça. Se veja realmente, se reconheça. Depois disso, se aceite do jeito que você quer ser. Os outros não tem nada a ver de como você vive. Autoestima é uma coisa que nem sempre é tão alta assim.. Mas quebrando os paradigmas, se reconhecendo fora dos padrões impostos por uma sociedade patriarcal, você passa a se amar da forma que quiser. Então você conseguirá passar isso para suas amigas-irmãs-companheiras.

“Feminismo não é um palavrão. E não significa que você odeie homens, e nem que você odeie garotas que tem pernas bonitas e bronzeado. E, também não significa que você é uma vadia ou otária, significa que você acredita em igualdade”
– Kate Nash

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