COMPORTAMENTO

Vamos falar sobre empoderamento feminino?

9 de julho de 2016

Empoderamento: 1. obtenção ou reforço de poder; 2. processo através do qual se obtém mais controlo sobre a própria vida, através da conquista de direitos civis, independência, autoestima, etc. Nome masculino. Opa, hoje não. No post de hoje é feminino, sim senhora. 

Não tem muito tempo que essa palavra começou a pipocar em diversos fóruns, debates e conversas sobre feminismo. Além do que a gente lê no dicionário, é algo que é colocado à prova todos os dias na vida de uma mulher. É estabelecer aquilo que você quer para sua vida e ir atrás disso. Para as mulheres, isso significa muito julgamento, muito desaforo e muita desmotivação no processo. Se você estuda engenharia mecânica, por exemplo, vai ouvir, em algum momento, durante sua carreira que não tem potencial suficiente, vai ser desmotivada e desvalorizada por seus colegas de trabalho. Além da sua sala de aula ter menos de um terço de mulheres (representatividade, mas aí já é outra história). Se quer ser mãe e dona de casa, vai ouvir. Se quer ser chef de cozinha e não casar, vai ouvir muito. Se quer assumir o cabelo crespo e pintar de laranja, vai ouvir duplamente. Parece que o caminho para a autorrealização da mulher é marcado por vários dedos apontados alheios e requer muita força para deixar tudo de lado.

O caminho de se emponderar, por mais que você não esteja por dentro dele, não é absoluto, imediato. A cada dia você muda uma coisinha, transforma outra e vai se construindo. Ele é um constante aprendizado sobre si – principalmente falando de autoestima. Sabemos que a mídia mostra um padrão quando falamos sobre tipos de corpos, de pele, de cabelo. E sabemos como as revistas vendem fórmulas mágicas de beleza e do que é lindo e socialmente aceitável. Você não precisa disso. Empoderar significa poder, mas acima disso, significa poder criar, poder fazer, poder crescer. Para Paulo Freire, “é a capacidade do indivíduo realizar, por si mesmo, as mudanças necessárias para evoluir e se fortalecer” (ô, homem sábio!).

Essa palavrinha também pode significar além: aceitar que assim como você tem suas peculiaridades e seu modo de viver, outras mulheres também têm. Faz parte do processo entender e respeitar essas diferenças, apoiar e incentivar cada mulher que você conheça a viver da maneira que for melhor, respeitando seus limites, valorizando sua beleza própria.

“E como é que eu faço isso tudo?”

Pintar o cabelo de roxo, usar suas roupas favoritas, usar ou não usar maquiagem, alisar ou não o cabelo, usar calça, tênis, saia, salto alto. Ser arquiteta, jornalista, bailarina, motorista, atleta, empreendedora, CEO de uma grande empresa, gari. Significa ser negra e ter orgulho, significa não tolerar relacionamento abusivo. Com pequenas ações do dia a dia, você consegue perceber mudanças em você mesma. Um elogio a si mesma, usar aquele penteado que você sempre quis, mas tinha vergonha, não ler revistas que te impõem um tipo de beleza, não tolerar comentários maldosos de outras mulheres perto de você (e nem os faça!) sobre aparência, comportamento e modo de vida.

O ponto inicial é trabalhar todo dia a autoestima, sendo mais gentil consigo mesma e com outras mulheres. Vamos praticar?

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4 Comentários

  • Reply Carol Danelli 9 de julho de 2016 at 10:16

    Amei o seu texto! Estou em um processo de aceitação que está me dando mais forças e me mostrando como posso ter e ser tudo que eu quiser! <3

  • Reply Mariana Andrade 9 de julho de 2016 at 13:14

    Arrasou Anna, se tem uma coisa que uma mulher pode é poder. asuhsuahsuhsa

  • Reply Isabela Barcellos 9 de julho de 2016 at 16:07

    Texto muito bom, Anna. Recentemente li uma coluna da Martha Medeiros e ela diz: ” Acho empoderamento uma palavrinha detestável: é por causa da atração pelo poder que o Brasil está metido em encrenca e vive no atraso.”, o que você pensa sobre isso? De qualquer forma, acho que devemos nos empoderar cada vez mais <3

    • annac.oli@hotmail.com'
      Reply Anna Castro 10 de julho de 2016 at 17:00

      Obrigada, Isa! Acho que a questão que a Martha fala é que empoderamento não necessariamente é feminino. Por isso especifiquei no post. Empoderamento pode ser social, político. E eu concordo com ela na questão que a ganância pelo poder, seja político ou não, ela nos transforma e nos faz perder aquilo que nos diferencia dos outros animais: racionalidade. Acho que empoderamento feminino é necessário porque a própria sociedade nos desestimula a vivermos nossa vida da maneira que quisermos. Sempre tem um dedo apontado pra você e isso te reprime, você passa a aceitar isso e se acomodar. O empoderamento é pra NÃO se acomodar nunca mais. Isso não quer dizer que você vai parar de ouvir o conselho da sua família, que você vai mandar todo mundo se danar e viver sozinha pra sempre porque você só precisa de si mesma. Quer dizer que quando você for criticada, desmotivada, derrubada, você vai saber reagir e levar aquilo bem, de um jeito que não te machuque. Todas somos fortes, só precisamos encontrar essa força. Isso que eu penso haha Obrigada pelo seu comentário! <3

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