Filmes

Ben Hur estreia com nota mediana

18 de agosto de 2016

Quem é ligado em clássicos com certeza já viu ou ouviu falar de Ben Hur, do romance Ben Hur: A Tale of the Christ, escrito por Lew Wallace. Já foi adaptado para o cinema diversas vezes, mas o maior sucesso foi a versão dos anos 50, que vai ser adaptada mais uma vez, estreando hoje nos cinemas. Não tem como não se envolver nessa história, independente da versão que se veja. “Ben Hur” conta a história de Judah Ben-Hur, um judeu rico e mercador importante, em Jerusalém, no início do século I. Mas, Messala, amigo e considerado irmão por Judah, retorna como chefe das legiões romanas na cidade e um desentendimento entre os dois devido ao posicionamento político faz com que Messala condene o irmão a viver como escravo durante anos, mesmo sabendo de sua inocência. E o que motiva Ben Hur a sobreviver, apesar de tudo, é sua família. E vingança.

O filme dirigido por Timur Bekmambetov conta com um elenco cheio ótimos atores, de forma bem utilizada. Jack Huston cai como uma luva no papel de Judah e tem ótimas expressões faciais em cenas que demandam muita emoção. Rodrigo Santoro, como Jesus, foi bem convincente em suas palavras. Foi uma experiência diferente do primeiro filme, já que Jesus não mostrava o rosto. Tobby Kebbell como Messala é outro exemplo de convencimento: causa realmente uma tristeza e uma raiva quando se vê a consumação da traição, por exemplo. Morgan Freeman como Sheik Ilderim se sai bem em um papel mais descolado e cômico e traz algumas frases de efeito que com certeza te fazem refletir.

As cenas são devidamente impactantes, há um forte sentimento de irmandade entre Judah e Messala que é explorado de uma forma muito bonita no longa de 2016. Ao contrário do antigo, que já se passa na história depois da volta de Messala como chefe das legiões romano, em 2016 vemos uma introdução da relação dos irmãos e o que o levou a sair de casa. Isso torna a história mais palpável, mas acaba deixando o filme “devagar”, onde poderemos ver as melhores partes entre o meio e o final. As cenas amorosas de Judah são muito bonitas e um pouco diferentes do filme original, a história de amor com Esther, interpretada por Nazanin Boniadi, tem caminhos diferentes.

O figurino é muito bonito e a cenografia bem real, como as moradias e as estátuas são deslumbrantes, mas o prometido, que eram os efeitos visuais impressionantes acabou superando as expectativas: a famosa corrida de bigas é estonteante; parecida com a antiga, mas muito mais real. O que deixou a desejar foram as paisagens a distância, algumas pareciam artificiais em alguns momentos, diferentemente de filmes como Senhor dos Anéis, por exemplo. A trilha sonora, ainda falando de efeitos, é bem parecida com a antiga, bem temática a época. Com relação a técnica, o filme apresenta planos bem diferentes e algumas ideias inovadoras de filmagem, a fotografia é bem melhor do que em 1959, mas a câmera é muito instável em momentos que talvez não fosse necessário instabilidade.

Como sabemos, a história é contextualizada em Jerusalém e Roma, século I, durante a guerra entre o domínio romano e a rebeldia judia. Em Ben Hur do século XXI, o contexto não é devidamente apresentado, então quem não está a par dos fatos como o Cerco de Jerusalém, o nascimento de Jesus Cristo, talvez confunda um pouco em alguns momentos, mas nada tão complexo a ponto de não poder aproveitar o filme. Mas há um reforço do conflito entre romanos e judeus, um destaque nos rebeldes e no funcionamento de Roma e no incentivo ao que conhecemos hoje como pão e circo.

O que diferencia 2016 de 1959 é o meio do enredo. Há algumas alterações no curso da vida de Judah, mas a ideia principal é mantida, principalmente as cenas mais impactantes que não foram alteradas, apenas melhoradas. Uma coisa interessante da história, é que ela acontece paralela a de Jesus, que possui muitas cenas impactantes e sempre cruza com o caminho de Judah, isso traz uma fortaleza de arrepios em muitas cenas. O 3D do filme não faz muita diferença, a qualidade da imagem acaba sendo melhor, mas pelos efeitos em si não vale a pena.

Esse filme fala muito sobre compaixão, perdão, sobrevivência e honra, é muito emocionante e se deixar rola até umas lagriminhas no final! Não vai levar 11 Oscar ou ser a maior bilheteria do ano de lançamento, como o Ben Hur de 1959, mas vale a pena conferir essa viagem.

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