COMPORTAMENTO

O Brasil das mulheres

10 de agosto de 2016

Os Jogos Olímpicos começaram. Os ventos de 2016 trouxeram grandes conquistas para as mulheres de uma forma que nunca tinha se visto até agora. Tudo começou com um número: 45% dos atletas são mulheres. O momento que elas pisaram no Maracanã sabíamos que história estava sendo feita.

A cerimônia de abertura foi de derramar lágrimas e causar arrepios. Ainda mais para quem presenciou o momento mágico com Karol Conka e Mc Soffia cantando sobre empoderamento feminino. Uma participação vista pelo mundo todo, duas mulheres moradoras da periferia, negras e empoderadas cantando em um dos maiores eventos do mundo. O espaço está ali para ser ocupado e elas não estão para brincadeira. Quando a delegação brasileira entrou, mais uma surpresa: a mulher no triciclo era a modelo transexual Lea T, que puxou toda a delegação e trouxe a tona a mensagem de tolerância, que o Brasil tanto precisa.

Quando os jogos começaram, foi uma surpresa boa atrás da outra: a judoca Majlinda Kelmendi é a primeira medalhista olímpica da história de Kosovo. Ela levou o ouro a um dos países mais jovens do mundo que não eram reconhecidos pela Comissão Olímpica em Londres 2012. Majlinda cresceu em meio a guerra de Kosovo e tem apenas 25 anos. Primeira medalha de ouro do país, primeira olimpíada oficial do país. Ela trouxe essa honra e com o sorriso enorme no rosto, podemos sentir de qualquer lugar o orgulho.

Nosso time feminino de ginástica artística estava poderoso esse ano: Rebeca Andrade, filha de uma empregada doméstica de Guarulhos, foi aclamada após se apresentar ao som de Beyoncé. Flávia Saraiva, a caçula do time, com apenas 16 anos já foi um sucesso e o encanto das apresentações. Não dá para não citar a Seleção Feminina de Futebol, contando com Marta, considerada a maior artilheira da história da Seleção Brasileira (feminina e masculina!). Assim como Marta, a Cristiane, a maior artilheira das olimpíadas, entre homens e mulheres, e todo o time sao um dos orgulhos. As meninas já começaram as partidas ganhando e mostrando que mulher sabe jogar futebol SIM! E que o futebol feminino é absurdamente desvalorizado, só agora estão descobrindo como o trabalho dessas mulheres é impressionante.

Nem tudo são medalhas numa Olimpíada. A esgremista italiana naturalizada brasileira Nathalie Moellhausen foi eliminada na prova de espada individual, mas conseguiu o melhor resultado brasileiro feminino da história da esgrima em Jogos Olímpicos. Mas tudo se trata de superação. E Yusra Mardini, exemplo de superação, é a nadadora que salvou a vida de diversas pessoas que deixaram a Síria, pulando do barco junto à sua irmã. Nadaram por três horas no Mediterrâneo, enquanto puxavam a embarcação. Ela superou o medo, a dor, a insegurança para salvar quem amava e entrou triunfante como membro da delegação dos refugiados.

O amor e a comunidade LGBT também estão presentes nos Jogos. A jogadora da seleção brasileira de rugby Isadora Cerullo beijou Marjorie, uma voluntária nos jogos, após receber o pedido de casamento durante a premiação das medalhas da disputa feminina (a Austrália levou o ouro).

A judoca carioca Rafaela Silva foi o primeiro ouro do Brasil. Depois de ter sido desclassificada em Londres 2012, ela voltou com toda a garra que precisava, e mesmo depois de todo o racismo, ela voltou com tudo. É negra, é periférica da Cidade de Deus, é lésbica, é mulher.

A Olimpíada é de todas essas bravas mulheres. Esses exemplos que enchem nossos corações de esperança, de luta e de coragem. A Olimpíada é de Miri Al-Atrash, a nadadora da Palestina, que não tem piscinas olímpicas no seu país e foi treinar na Jordânia. É das ginastas da Coreia do Norte e do Sul tirando foto juntas, contrariando uma rivalidade histórica entre os dois países. É de Gaurika Singh, a atleta mais nova dos jogos, com apenas 13 anos e é sobrevivente do terremoto que matou milhares de pessoas no Nepal, ano passado. É de Oksana Chusovitina, de 41 anos, a atleta mais velha a competir em jogos olímpicos.

Essa Olimpíada é o conjunto da representatividade que as mulheres estão tendo nesse evento. É incrível poder ver toda essa força de mulheres negras, de LGBTs, de trans, de mulheres periféricas, refugiadas, de culturas diferentes. Ainda há muito para ser conquistado, mas ver a luta dessas mulheres nos dá a esperança para um mundo melhor onde as atletas sejam respeitadas e valorizadas, tanto quanto os homens. Que todas essas conquistas sejam inspirações para as novas gerações que virão e para todas as mulheres que já possuem essa força, mas que ainda precisam encontrá-la. 

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