COMPORTAMENTO

Abuso televisionado e aplaudido

11 de abril de 2017

Essa semana tem sido bastante polêmica ao falarmos da edição 17 do Big Brother Brasil. Até quem não acompanha o reality, já deve ter encontrado alguma notícia como “Emilly tenta falar e Marcos a interrompe” ou “Marcos censura Emilly”. A verdade é que, gostando ou não da jovem, precisamos admitir que o ex- brother ultrapassou todos os limites do saudável e que essa relação nada mais é do que um relacionamento abusivo televisionado, patrocinado e ainda assim, disfarçado.  E quem foi que disse que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher? Desculpe, mas aqui meteremos sim!

Se você não sabe, relacionamentos abusivos são aqueles nos quais existe intimidação, jogo de ciúme, ameaça, humilhação, pressão psicológica e outras formas de abuso moral. Conseguiu relacionar essas características com o casal do BBB17? Ainda não? Então, vamos continuar.

Já faz algum tempo que a relação de Marcos e Emilly tornou-se motivo de preocupação aqui fora. Isso porque o ex- participante manipulou, intimidou, diminuiu, humilhou e ameaçou a sua namorada na casa, para logo em seguida, chorar em seus braços e dizer que a culpa era dela. Afinal, quem aguentaria uma garotinha tão petulante e orgulhosa? Infelizmente, essa visão de que ele está fazendo um favor permanecendo com ela é compartilhada por muitos e muitos são os que defendem Marcos Harter.

Bastou assistir ao programa um único dia, para visualizar o médico tratando a sister como ignorante, ao fazer piadinhas que a ridicularizam o tempo inteiro. Isso quando não estava colocando o dedo em seu rosto ou no rosto de alguma outra mulher. Ou quando não estava berrando e mandando Emilly calar a boca e o escutar, enquanto a pressionava contra a parede. Pensem o que quiserem, mas contra fatos não há argumentos. O que esse homem de 37 anos fez é crime! E não sou quem está dizendo isso, a delegada da Delegacia de Atendimento à Mulher de Jacarepaguá, Viviane da Costa Ferreira Pinto afirmou em entrevista anterior a expulsão do participante “A tortura psicológica que ele pratica é considerada violência doméstica, se enquadra na Lei Maria da Penha. É assim que tudo se inicia”. E pelo que assistimos, já iniciou.

Independentemente de suas torcidas ou de sua indiferença para com o programa, precisamos falar de Marcos e Emilly. Precisamos falar sobre o crime que demorou a ser interrompido pois gera lucro. Precisamos falar por nós, mulheres. A participante eliminada na última segunda, Marinalva, confessou que o clima na casa era de medo. E eu digo que é esse mesmo medo que eu sinto nos lugares em que frequento. Lugares sem câmeras para registrar e que pelo visto, mesmo se tivessem e essas fossem transmitidas em todo território nacional, nada aconteceria ou demoraria a acontecer. O doutor Marcos Harter agrediu a todas nós e recebeu aplausos por isso. Parabéns, Brasil!

 

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