COMPORTAMENTO, Família

O grande problema não é o Desafio da Baleia Azul

20 de abril de 2017
50-desafios-do-jogo-Baleia-Azul-990x520

Não se fala em outra coisa nas últimas semanas que não seja o desafio da baleia azul.

O jogo se resume em um determinado número de desafios passados a quem entra no jogo, por uma especie de mentor, denominado curador. Você não entra no jogo por conta própria, precisa ser convidado por alguém, e aí sim os desafios começam.

Dentre ele estão: Assistir filmes de terror perturbadores e psicodélicos recomendados pelo seu curador às 4:20 da manhã (já que esse é o suposto horário em que mais suicídios acontecem), se cortar de diversas formas e mandar foto para o seu curador, subir em beiradas de prédios e pontes realizando movimentos arriscados e gravar um vídeo mostrando para o curador e etc. Esses desafios vão se repetindo, até que o jogador chega no 50º desafio, o último, que é o suicídio. É importante lembrar que vários desafios não são fixos, ou seja, o curador “personaliza” de acordo com os medos, as inseguranças e a personalidade do jogador.

Muita gente se pergunta: “Ué, mas e se a pessoa quiser desistir no meio? Se ela se arrepender de entrar nesse jogo, ela pode sair?”

Alguns se arrependem, tentam, mas não conseguem sair. Isso por que além de ameaças à sua família – o curador sabe tudo sobre a sua vida a partir do momento que você entra no jogo – ocorrem também pressões psicológicas muito fortes em cima do jogador. O curador o chama de fraco dentre tantas outras coisas que acabam perturbando a cabeça do mesmo, fazendo com que a sua vida se torne um inferno, até que fatalmente, muitos não aguentam e se matam, não por causa do jogo, mas por causa da pressão que sofreram.

É notório que é um assunto muito triste para se falar sobre, mas ao mesmo tempo levanta discussões muito importantes que por vezes ficam adormecidas. O jogo é o que trouxe toda essa questão do suicídio a tona, mas será mesmo que é ele que merece toda a nossa atenção? Será que uma pessoa completamente, ou quase, sã da cabeça, toparia entrar em um jogo que te faz sofrer por 50 dias e no fim custa a sua própria vida? Eu prefiro acreditar que não.

O que merece atenção mesmo depois de todos esses dias de discussão, são os transtornos psicológicos, sejam eles quais forem: Depressão, ansiedade, TOC, transtorno da ansiedade social e todos os vários que existem e atingem uma considerável parcela da população mundial. As pessoas precisam parar de levá-los como algo sem importância, falando para seus portadores coisas como: “se você quiser você sai dessa sozinho”; “pensa em coisas boas que passa”; “é frescura”; “é drama”; “reza que passa” e tantos absurdos que ouvimos por aí. Transtornos psicológicos são DOENÇAS. Quando você tem um problema no fígado, por exemplo, você trata ele com oração? Trata ele dizendo que ele não está funcionando por que ele não quer? Não. Você vai ao médico e toma medicação. Por que seria diferente com os transtornos psicológicos?

“Ah, mas aí é fácil, basta a pessoa procurar um profissional. Só não procura quem não quer”.

Se você já teve qualquer um desses transtornos ou conviveu diariamente com alguém que teve, você sabe muito bem que não é assim. Considero como se fosse literalmente um caminho para o fundo do poço: Quanto mais dentro você está, mais difícil é pra conseguir sair. Se você não tiver ao lado pessoas que te queiram bem, que tenham paciência e estejam dia após dia dispostas a te ajudar a enxergar o que tá acontecendo, você só cai mais e mais, até um momento que pode não ter volta. Por isso é tão importante que as pessoas saibam pelo menos um pouco de como é se ver dentro de um desses transtornos, por que uma pessoa do seu lado pode estar passando por isso agora e você não está percebendo. Muitas vezes, a pessoa não sabe como se expressar e dá muitos sinais, que quase sempre são vistos como exagero e drama.

Aqui vão alguns dados, retirados de um vídeo que colocarei o link no final da postagem e de pesquisa de confirmação, fatos assustadores mas que precisam ser mostrados:

1. A cada 40 segundos uma pessoa se suicida no mundo.
2. A OMS realizou um levantamento e determinou que até 2020 a depressão vai ser a doença mais incapacitante do mundo.
3. O Brasil é o 8º maior país na lista de quantidades de suicídios.
4. Quase 10% da população brasileira é diagnosticada com depressão (imagina quantos não são por que ainda por N motivos não procuraram ajuda profissional?)
5. O suicídio mata mais que o HIV no Brasil.
6. Apenas 28 países no mundo possuem programas de prevenção contra o suicídio.

Transtornos psicológicos não se curam sozinhos, raramente alguém consegue sair dessa por conta própria. Se você sente qualquer sintoma de algum deles, procure ajuda, seja num parente, amigo ou direto em um profissional, qualquer passo já é importante. Você não está sozinho, pode ter certeza! E pra você que não tem, seja sempre empático com as pessoas que tem, as ajude de alguma forma, não negligencie alguém que está passando por isso.

Aqui segue o link do vídeo do Felipe Neto sobre o assunto. Achei a abordagem interessantíssima e muito bem colocada:

Atendimento Psicológico grátis ou de baixo custo por todo o Brasil:
http://www.semtranstorno.com.br/atendimentos-psicologicos-e-psiquiatricos-gratuitos-ou-de-baixo-custo/

Telefone caso você tenha pensamentos suicidas: 144

Você Também Poderá Gostar

Comentários

Deixe seu comentário